quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Destaque do dia:DEBATE entre candidatos a governador do DF

Em debate no DF, Roriz admite que mensalão do DEM pode ter começado em seu governo

Camila Campanerut
Do UOL Eleições
Em Brasília

      Três dos quatro candidatos ao Palácio do Buriti, Agnelo Queiroz (PT), Eduardo Brandão (PV) e Toninho do PSOL, se apresentaram na noite desta quinta-feira (12), no primeiro debate televisivo promovido pela Band, como alternativas para a população do Distrito Federal ao candidato do PSC, Joaquim Roriz.
   A declaração mais polêmica ocorreu quando Roriz admitiu a possibilidade de o mensalão do DEM ter começado em seu governo. “Eu não posso afirmar se começou ou não no meu governo, pode até ser, mas eu não conhecia a moral e a personalidade de todos os meus auxiliares”, disse. Roriz afirmou que recebeu indicações e chamou as pessoas por meio de analise de currículos.
   O esquema descoberto pela Polícia Federal tinha servidores e prestadores de serviços do governo do Distrito Federal envolvidos com pagamentos de propinas, fraudes em licitação, desvio de verbas públicas, entre outros crimes.
    Desde o início do debate, os principais problemas da capital federal como ineficiência do transporte público coletivo, invasão e apropriação irregular de terra, e deficiências nas áreas de educação, saúde pública e segurança foram creditadas aos governos anteriores, tendo Roriz como governador por quatro mandatos.
    Roriz teve a candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, barrado pela Lei Ficha Limpa. Mesmo impugnado, ele pode fazer campanha e ainda lidera as pesquisas de opinião.

Primeiro bloco 
      No bloco de apresentação, os candidatos já definiram o tom que usariam durante todo o programa, justificando as motivações que os levaram a participar da disputa eleitoral. Roriz defendeu que sua motivação ”não foi pessoal”, mas sim uma reposta ao apelo da sociedade. “Não é a minha vontade pessoal. É o povo que me pede para voltar”, afirmou.
      Agnelo Queiroz afirmou que seguiu o exemplo do governo Lula e conseguiu reunir em sua coligação 11 partidos e que pretende “resgatar a transparência e a honra da política”. O vice de sua chapa, o deputado federal Tadeu Fillipelli (PMDB), é da legenda que estava coligada com o governo Arruda e não tinha tradição de apoio ao PT.
      Toninho do PSOL fez questão de se colocar como o “do contra” entre os concorrentes. “Sou candidato do contra: contra a corrupção, contra a bandalheira, as alianças espúrias para estas eleições. Por isso, sou candidato do contra”, explicou.
     Eduardo Brandão (PV) se alinhou ao modelo adotado pela candidata da legenda à Presidência da República, Marina Silva, de conciliação entre oposição e situação e promessas de trabalhar de forma integrada entre as diferentes secretarias para combater vários problemas ao mesmo tempo. Brandão foi secretário de Meio Ambiente do Governo Arruda.

Ataques a Roriz
       Já no início do segundo bloco do debate, os ataques mais fortes se concentraram em Roriz. Questionado por que renunciou ao mandato como senador, ele alegou que o fez por “decisão pessoal”.
       Outro destaque foi a saia justa criada por Toninho do PSOL para o candidato petista ao perguntar se Queiroz não seria refém de barganhas dos partidos coligados e o que acha de ter em sob sua chapa nomes de citados na Operação Caixa de Pandora, que levou a público o caso de corrupção no Executivo e Legislativo do DF nos últimos anos.
     “Não tenho compromisso com o erro de ninguém, quem tiver erro irá responder nas instâncias devidas”, disse ao assumir que traria para si responsabilidade de tudo que ocorresse no governo, caso fosse eleito.

Consenso
        Todos defenderam a regularização de terrenos em áreas nobres e prometeram providenciar a limpeza do Lago Paranoá e a retirada da terra das bacias hidrográficas que sofrem erosão. Houve consenso também na regularização do uso das vans, desde que não substituam as linhas de ônibus, mas sirvam de apoio em regiões carentes.
        Sobre o combate às drogas, Agnelo prometeu criar uma secretaria exclusiva para esta finalidade. E, ainda nesta área, Roriz disse que iria construir a “cidade da saúde”.
        Apesar de ter sido dedicado apenas as comentários finais dos candidatos, o destaque ficou para o Agnelo Queiroz , que teve o direito de resposta à acusação que recebeu de Roriz de “não respeitar áreas verdes” sobre uma denúncia de irregularidade na mansão do petista.


 Agnelo chamou a atitude de Roriz de “apelativa” e disse que sua casa é de “classe média” e está de acordo com os rendimentos dele.

Um comentário:

  1. Sandoval Tavares de Menezes17 de setembro de 2010 às 14:44

    Brasil
    17 de Setembro de 2010 - 14h13

    Compartilhe | STF definirá candidatura de Roriz; Agnelo sobe nas pesquisas
    A aplicação e constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa nas eleições deste ano deve ser julgada na próxima quarta-feira (22), no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso que permitirá a decisão sobre o assunto é o do candidato a governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC), em último recurso contra a impugnação da sua candidatura, na primeira avaliação constitucional da nova lei.

    Paralelo a definição judicial sobre sua posição na disputa eleitoral, Roriz vem perdendo terreno também nas pesquisas de intenção de voto. Começou a campanha como favorito, mas esta semana, a última pesquisa do Ibope mostra que o candidato Agnelo Queiroz (PT) está com 43% das intenções de voto contra 30% do ex-governador.

    Se Agnelo mantiver esta distância do seu principal concorrente tende a ganhar no primeiro turno. Na pesquisa anterior, a diferença de entre os dois principais candidatos era de oito pontos percentuais a favor de Agnelo.

    A decisão a ser tomada em relação a Joaquim Roriz terá influência no que se refere a centenas de outros casos, distribuídos por todos os estados, com menor notoriedade do que este de Brasília.

    A pauta de julgamento foi divulgada nesta sexta-feira (17) e traz como primeiro item o recurso extraordinário do ex-senador Joaquim Roriz, que teve a candidatura barrada com base na Lei da Ficha Limpa pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    O ministro Carlos Ayres Britto, do STF, rejeitou, na semana passada, um recurso do candidato. Esta semana, novo recurso foi apresentado por Roriz e desta vez será enviado ao plenário da Corte. Ele foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa porque, em 2007, renunciou ao mandato de senador para evitar a cassação.

    Na época, o Senado estava julgando um pedido de quebra de decoro parlamentar do Psol contra Roriz, que foi acusado de participar de um esquema de desvio de dinheiro do Banco de Brasília na Operação Aquarela da Polícia Civil do Distrito Federal. As conversas telefônicas feitas durante as investigações policiais mostravam o senador tratando da partilha de R$2,2 milhões.

    Os advogados de Roriz alegam que a lei foi aprovada no Congresso Nacional após o dia 3 de outubro de 2009 e desobedece a regra que determina que deveria estar em vigor um ano antes das eleições deste ano.

    O Supremo, composto de 11 ministros, está dividido sobre o assunto. Quatro ministros já se posicionaram a favor da aplicação da Lei: Ricardo Lewandowski (presidente do TSE), Carmen Lúcia (também do TSE), Ayres Brito e Joaquim Cardoso. Três deles se pronunciaram contra a aplicação da lei: Dias Toffoly, Gilmar Mendes e Marco Aurélio.

    Faltam os ministros Célio de Castro, Ellen Gracie e Cezar Peluso, que não manifestaram publicamente suas opiniões sobre o assunto.

    De Brasília
    Márcia Xavier

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